Museu da Computação e Informática - MCI

FITA CASSETE

Fita cassete O usuário típico de microcomputador no início da década de 80 não tinha possibilidade de dispor de um drive para disquete pelo seu elevado preço. A opção mais barata na época era usar os gravadores de fita cassete. As unidades de cassete usadas para armazenar informação para microcomputadores eram exatamente os baratos gravadores cassete doméstico. Alguns fabricantes de microcomputadores não incluiam drives de cassetes em sua linha de produtos, sugeriam que os usuários usassem gravadores doméstico. Outros fabricantes vendiam seu próprio drive de cassete, mas esse era geralmente caro, com modificações que os disfarçavam dos gravadores cassete comum.

O usuário devia usar um gravador e fitas cassete de boa qualidade, uma vez que os sistemas de microcomputadores não toleravam erros ou ruídos ao ler uma informação na fita. O nível do som agudo e grave e o volume do gravador deviam ser regulados antes de ler a fita cassete. A gravação na fita era efetuado conectando um cabo na saída do fones de ouvido (EAR) do micro com a entrada para microfone (MIC) do gravador. A leitura da fita era o inverso, conectando um cabo na saída do fones de ouvido (EAR) do gravador com a entrada para microfone (MIC) do microcomputador.

Os gravadores cassetes dos microcomputadores não armazenavam a informação digitalmente (como as fitas magnéticas); ao invés disso, gravavam na forma de sons - da mesma forma que armazenavam voz. Assim um tom particular representava um bit "0", enquanto que outro tom representava o bit "1". A vantagem de se usar tons para gravar dados estava no fato de que se podia usar qualquer gravador cassete como parte do sistema de microcomputador.

As fitas cassete não eram muito confiáveis; era fácil de se arranhar ou danificar a superfície da fita, e a cobertura magnética desvanecia quando o cassete era usado. Por mais que se tivesse cuidado na gravação em cassete, o processo era muito suscetível a influências externas e mau uso por parte do usuário. Recomendava-se não utilizar pilhas nos gravadores, pois elas se descarregavam facilmante, ocasionando uma diminuição nas rotações do gravador, tornando impossível o carregamento de um programa gravado nestas condições. A base da fita cassete era geralmente um plástico tal como o mylar, sobre o qual era depositada uma camada muito fina de óxido de ferro para formar a substância magnética.

Não existia formato padrão para o cassete da mesma forma que existia para os setores e trilhas dos drives de disquete. A forma pela qual cada microcomputador armazenava os dados variavam um pouco, um programa criado e armazenado em um CP 500 não podia ser carregado no TK 90, por exemplo. A principal limitação no armazenamento em cassete era a lentidão de acesso aos dados. Devido a sua constituição física, o cassete apresentava um tempo de acesso sequencial, isto é, para se escrever ou ler um determinado ponto da fita, era preciso passar por outros setores da mesma, que não nos interessavam; isto era feito pelo rebobinamento rápido da fita que, por mais rápido de fosse, sempre tomava um tempo bastante superior aos verificados na parte eletrônica do equipamento. Se a fita cassete tinha mais de uma gravação, então devia haver uma distância de separação entre gravações individuais.

O gravador cassete mais utilizado no Brasil foi o modelo da National RQ-2222 M. Esse gravador apresentava como vantagem o fato de ter um contador, cuja numeração indicava a quantidade de fita que passava pelas cabeças de gravação/reprodução e apagamento, o que facilitava a localização de determinado trecho da fita. Com o tempo, o drive de disquete teve uma redução no seu preço e aos poucos foi substituindo o gravador cassete como meio de armazenamento para microcomputadores.


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Gravador National RQ-2222
Revista
Micro Sistemas
Mar/1985

Criado em: Mai/2002
Atualizado: 20/Mai/2002
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