Do início da década de 60 até o começo dos anos 70, era enorme a insatisfação com a situação brasileira no setor tecnológico. Nessa época, todos os computadores no país era importados. No mesmo período, a Marinha comprou fragatas inglesas comandadas por computador. O almirantado espantou-se com o alto preço dos computadores em embarcações de combate com artilharia eletrônica. Um grupo de oficiais conseguiram que parte do equipamento passasse a ser fabricado por empresas brasileiras, reivindicando a criação de uma indústria de eletrônica digital.
Em 18 de julho de 1974, a E.E. Eletrônica, o BNDE e a inglesa Ferranti associaram-se para formar a COBRA - Computadores e Sistemas Brasileiros Ltda, empresa cuja história se liga estreitamente à política de informática no Brasil, foi a primeira empresa a desenvolver, produzir e comercializar tecnologia genuinamente brasileira na área de informática.
Através de parcerias com a inglesa Ferranti e a americana Sycor Inc. a Cobra acumulou conhecimento técnico-industrial. Do início, quando tudo era novo e precisava ser desvendado, passou-se rapidamente ao desenvolvimento de tecnologia e geração de seus próprios produtos.
Percebendo a impossibilidade de competir com as gigantes estrangeiras na produção de equipamentos de grande porte, a indústria nacional procurava um espaço que permitisse seu desenvolvimento e auto-suficiência. A escolha do setor de mínis e micros prendia-se a uma razão muito forte. Ao contrário dos grandes computadores, o componente eletrônico principal desses equipamentos eram os chips, facilmente comprados no exterior.
O Cobra 530, lançado no início da década de 80, foi o primeiro computador totalmente projetado, desenvolvido e industrializado no Brasil. Nessa época foram lançados os modelos da mesma linha do C-530, como o C-520, C-540, C-480 e C-580, até chegar a linha X. Também foram lançados os primeiros microcomputadores de 8 bits - o Cobra 300, Cobra 305 e o Cobra 210, além de terminais remotos. Nessa fase, uma série de sistemas operacionais como o SOM, SOD, SPM e SOX (compatível com o Unix), e várias linguagens como LPS, LTD, Cobol e Mumps foram criadas. Em 1987, a Cobra havia lançado o XPC, o seu compatível PC-XT.
Na segunda metade da década de 80, o controle de preços e o aumento das despesas com os sucessivos planos econômicos descapitalizaram as empresas. Além disso, com o fim da reserva de mercado da informática, trouxe as gigantes mundiais do setor de informática. Foi um período em que muitas empresas nacionais sucumbiram. A Cobra buscou novos caminhos e tornou-se integradora de soluções tecnológicas e prestadora de serviços.
No início da década de 90, a Cobra se afinou à tendência mundial de parcerias, dentre as quais a Sun Microsystems, IBM, Cisco Systems, Microsoft, Oracle e SCO. Por essa época, o Banco do Brasil passou a acionista majoritário da Cobra. No final dos anos 90, entrou firme e forte no mercado de serviços para a área bancária.
| Equipamentos fabricados pela Cobra |
| Ano |
Equipamento |
Linha |
Descrição |
| |
Cobra 700 |
Minicomputador |
Primeiro computador lançado pela Cobra, de tecnologia importada, era baseado no Argus 700 da inglesa Ferranti. |
| 1977 |
Cobra 400 |
Minicomputador |
Os primeiros Cobra 400 eram o modelo Sycor 440 importados da empresa americana Sycor, pouco tempo depois a Cobra desenvolveu o Cobra 400 II. O Cobra 400 era um minicomputador baseado em microprocessadores 8080, da Intel. |
| 1979 |
TD 200 |
Terminal |
Terminal inteligente de entrada de dados. Tinha 32 kB de RAM e duas unidades de disquete de 8 pol., densidade simples, e era baseado no microprocessador Intel 8080, de 8 bits. |
| 1979 |
Cobra 300 |
Microcomputador |
Originário do TD 200, era um equipamento monoposto autônomo, memória RAM de 48 KB e disquete de densidade dupla, era baseado no microprocessador Intel 8080, de 8 bits. |
| 1980 |
Cobra 530 |
Minicomputador de 16 bits |
Primeiro computador desse porte totalmente projetado, desenvolvido e industrializado no Brasil. |
| 1981 |
Cobra 305 |
Microcomputador |
Um modelo mais avançado que sucedeu o Cobra 300, a memória RAM era de 64 KB e disquete de dupla face com 1 MB, era baseado no microprocessador Z 80A da Zilog, de 8 bits. |
| 1982 |
Cobra 520 |
Minicomputador de 16 bits |
Era uma versão reduzida do Cobra 530. |
| 1983 |
Cobra 540 |
Minicomputador de 16 bits |
|
| 1983 |
Cobra 210 |
Microcomputador |
Os programas aplicativos desenvolvidos para o Cobra 300 e Cobra 305 podiam ser utilizado pelo Cobra 210, tinha 64 KB de RAM e era baseado no microprocessador Z 80B, aceitava disco rígido Winchester de 5 a 10 MB. |
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Cobra 480 |
Supermicro/Mini de 16 bits |
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Cobra 580 |
Minicomputador de 16 bits |
Era uma versão reduzida do Cobra 540. |
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Cobra 1000 |
Supermini |
Computador fabricado sob licença da americana Data General. |
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X-10 |
Minicomputador de 32 bits |
Baseado no processador Motorola 68010. |
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X-20 |
Minicomputador de 32 bits |
Baseado no processador Motorola 68020. |
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X-30 |
Minicomputador de 32 bits |
Baseado no processador Motorola 68030. |
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X-3030 |
Minicomputador de 32 bits |
Baseado no processador Motorola 68030. |
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X PC |
Microcomputador |
Primeiro microcomputador compatível com IBM PC/XT. |
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X 386S |
Microcomputador |
Baseado no microprocessador Intel 80386. |
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MP 486 EISA |
Microcomputador |
Microcomputador Medidata comercializado pela Cobra, baseado no microprocessador Intel 80486. |
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MP 486XM |
Microcomputador |
Baseado no microprocessador Intel 80486 DX2. |
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